sexta-feira, 31 de julho de 2009

Flash Back

Caros amigos e amigas,

Depois de pensar alguns dias no que fazer com a minha conta do twitter, decidi retornar a escrever “reviews” e dar minha opinião pessoal do que vem acontecendo na nossa cena, só que descobri que o twitter só cabem 140 caracteres :-(. Então decidi abrir este blog.

Desde que parei de escrever na minha coluna no então recém lançado baladaplanet, muita coisa aconteceu.

Acredito que um dos meus últimos textos em abril de 2003, se chamava “Flash Back”, pretendo continuar de onde parei, dei uma re-editada de leve e publico abaixo. Parece bem atual heheheh. A partir deste, estarei escrevendo aqui minhas opiniões e reflexões mais recentes.

Um abraço,

Claudio Brio
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Flash Back (escrito em abril de 2003 e re-editado em julho de 2009)

Vejo que pouquíssimos organizadores vêm se mantendo atualizados com relação à montagem de line-up. Ao me aprofundar nesta questão, comecei a investigar as causas e me deparei com um outro fato, as seleções na sua maioria não tem sido baseadas no cruzamento de horário e tipo de música, o espaço é dado somente em decorrência do tamanho do público e fama do artista, não se levando em consideração o horário e estilo. Aquela fase de que a festa também era uma apresentação de novas vertentes e propostas inovadoras, acabou para a maioria dos eventos por aqui. Agora as festas passaram a ser grandes empreendimentos voltados para se ganhar a maior quantidade de dinheiro possível.

Não existe mais inovação, não existe mais conceito. Apresenta-se somente aquilo que o público mais quer ouvir e se repete durante o maior tempo possível. Para mim e para outros apreciadores que gostamos de ouvir diferentes vertentes da música eletrônica, muitas das festas e festivais tem sido um verdadeiro martírio de repetição de estilos. Trocam-se os dj’s mas as músicas continuam as mesmas.

O que está acontecendo? Estamos retrocendendo como cena? Não conseguímos mais conviver com a diversidade das coisas?

Estamos caindo na mesma armadilha do POP. O público e o mercado é que estão direcionando artisticamente a cena. Poucas são as festas que tem coragem de inovar trazendo novas vertentes e novos sons. Música eletrônica eu entendia como desenvolvimento, inovação, mas agora não é mais em grande parte da cena.

Não proponho aqui que a cena seja de pessoas que tem aversão ao dinheiro, não é isso, mas acredito que podemos fazer uma melhor combinação entre interesse financeiro e conceito.

É... mais uma vez a ego-trip, auto-promoção e espírito competitivo assolam a nossa cena. Poucos são aqueles que se mantém fiéis aos valores e muitos são aqueles que colocam seus interesses pessoais como carro chefe de suas ações. Infelizmente o negócio é se auto-promover e ficar famoso.

Mesmo escrito há 6 anos atrás, parece atual, será que é por isso que a cena de eletrônico está saturando?

Claudio Brio
claudiobrio.com